
O maior português de sempre sou eu. Não obstante este facto incontornável, não posso deixar passar ao lado esta iniciativa promovida pela RTP e que tanta polémica tem gerado por causa de um dos nomes sugeridos: António de Oliveira Salazar. Tenho a minha opinião formada sobre o antigo Presidente do Conselho de Ministros, como calculo que grande parte dos portuguêses também a tem. Não entendo a razão da polémica. De há uns tempos para cá, tenho notado a grande dificuldade que o nosso povo tem em lidar com os fantasmas do passado. Não é que para mim Salazar seja um fantasma, bem pelo contrário, mas entendo que muitos, e pelas mais diversas razões que não me compete questionar ou opinar, possam sentir-se intimidados ou incomodados com a lembrança de outros tempos que não os meus. A sua época já acabou. Para o bem ou para o mal já terminou e passou a fazer parte da história. E quanto ao passado e ao que é história já não há nada a fazer, a não ser reflectir sobre os factos para que se possa melhorar o futuro. Irrita-me a histeria colectiva que se cria em torno de Salazar. Ainda há uns tempos atrás, celebrava-se uma missa
in memorium a António Salazar, encomendada por familiares e amigos do falecido governante. Irritou-me ver uns quantos idiotas a manifestarem-se em frente à igreja a gritar contra o Fascismo. Pois meus caros janados, tenho a dizer-vos que esta ideologia, graças a Deus, já não faz parte do nosso quotidiano e o que fizeram às portas da igreja mais não foi do que uma palhaçada e uma injúria a cidadãos que assistiam a uma missa de um familiar e de um amigo. Também em Santa Comba Dão, terra natal de António de Oliveira Salazar, houve a intenção de construir um museu sobre a vida do mesmo, ao que se levantaram inúmeras vozes de protesto. Já no que concerne à RTP, a polémica gerou-se porque o nome do ex governante foi retirado da lista de sugestões para votação no maior português de sempre. O mais cómico de tudo isto, é que Oliveira Salazar deve dar voltas no túmulo de tanto rir como um perdido. Ao fim ao cabo, voltamos aos tão criticados anos da censura que tanto caracterizou os governos de Salazar. Resultado, tanta conversa e tanta polémica e o que vai acabar por acontecer é que Salazar será das personalidades mais votadas na lista dos maiores de sempre. Se o tivessem colocado ao ínicio e não tivessem levantado mais problemas, aposto que poucos dariam por ele e outro grande português acabaria por vencer. Mas isso é só a minha opinião. Acho que chegou a altura de ignorar-mos alguns factos do passado e preocuparmo-nos mais com o nosso futuro. História é história e temos mais é que respeitá-la. Dou o exemplo da Hungria, que durante muitos anos pertenceu à União Soviética e que viveu sob as duras políticas comunistas. Com o fim da URSS, houve tendência nas antigas repúblicas para destruir os símbolos do comunismo. Compreende-se. No entanto, na Hungria, não houve destruição. E se a houve foi parcial, pois, grande parte dos símbolos que caracterizavam a era comunista, como estátuas de Lenine e de Estaline, foram retirados do centro de Budapeste e colocados num local periférico, onde podem ser visitadas por todos que queiram conhecer uma parte da história da Hungria. Exemplo, então, de um país que não teme os fantasmas do passado. Foram ignorados mas não desrespeitados.