terça-feira, junho 12, 2007

domingo, junho 10, 2007

Facto


Os malucos da praia do Guincho


Não eram portugueses. Talvez por isso, pela excessiva descontração, pelo facto de se estarem simplesmente a cagar para quem os observava, ri-me como um perdido. A entrada na praia foi triunfal e, despertou de imediato a minha total atenção. Um deles, ignorando a entrada comum e normalmente utilizada pelos banhistas, descia a encosta da Crismina, deslizava pelas dunas ao som de um tilintar que me soava familiar. Não havia a mínima dúvida, era um saquinho cheio de Super Bock's. Os outros seguiram-no, rindo e já cambaleando. Via-se que já tinham feito o "aquecimento" ao almoço. Estava um dia de sol e, depois de uma árdua semana de trabalho na construção (algo me diz que laboravam neste sector), era natural que o aproveitassem ao máximo. Não traziam apenas cervejas. O Kit estava mais composto. Uma prancha de Bodyboard preenchida pelas figuras do filme "Finding Nemo", uma bola de futebol, à falta de toalhas...um mega cobertor e, para ensopar, umas "buchinhas." Pela língua, deduzi que fossem dos Balcãs. Riram, brincaram, jogaram, emborcaram (muito mesmo), nadaram e fizeram "body." O calor interno era tal que ignoravam as gélidas temperaturas do mar do Guincho. Como se previa, face aos excessos do consumo e por ignorarem que ali as correntes são fortes e traiçoeiras, já um deles seguia à deriva, naturalmente, sem força e folego para regressar. Vai lá que a época balnear já começou (oficialmente), e o "Mitch" de serviço lá se atirou ao mar em busca do náufrago. Mas nem por isso os ânimos esmoreceram. Nada disso. Próxima etapa: escavação de uma vala profunda. Quando dei por mim, já um deles estava enterrado até ao pescoço. Ele ria e os amigos assistiam-no, levando-lhe à boca a fresquinha "Super." Depois foi o momento do "Olá fresquinho", vivido intensamente pelo vendedor, pois calculo que nunca teve tanta mão junta a proceder à escolha no interior da sua sacola térmica. E assim, de um momento para o outro, levantam armas e seguem para outras paragens. Nem todos. O amigo permanece enterrado e grita para que os companheiros o ajudem a sair. Mas estes já se encontram no topo da encosta a rir como uns perdidos. Ele esforça-se, mas nada. Calculo que estivesse enterrado de pé. Consegue sacar um bracinho e abana-o para aliviar as cãimbras. Saca o outro. Abana-se, contorce-se e, passados dez minutos, lá consegue a liberdade. Menos mal, pensou ele, seguiu rindo ao encontro dos companheiros. Há dias assim.

quarta-feira, maio 23, 2007

A Grande Paródia


Eu voto no Hervé. E você, já se decidiu???

sexta-feira, maio 11, 2007

segunda-feira, maio 07, 2007

Empurrar o carro

Calculo que poucos conheçam a sensação de empurrar um carro. Digo poucos porque, nos dias de hoje, é quase impensável imaginar, sequer, que estas máquinas que nos transportam frenéticamente de um ponto A para um ponto B, possam falhar. Ainda por cima, criaram-se facilidades que antes não existiam, como a assistência em viagem. Se temos um furo, cai-se no ridiculo de ligar para o número verde que temos no canto superior direito do pára-brisas para pedir socorro à "Marta." No meu tempo não era assim. Sei bem o que é empurrar uma viatura e trocar um pneu. Talvez porque lá em casa ninguém se endividava para comprar automóveis ou porque havia coisas mais interessantes onde gastar o dinheiro, alguns dos carros que por lá passavam eram grandes máquinas, mas fatigadas pelo uso excessivo. Quantas e quantas vezes tinha-mos que empurrar o "Carpol" ou mudar um pneumático. O que nos ria-mos. Fiquei instruído, ora pois. E já mais grandinho, não só mudei os meus como também já salvei amigos de situações embaraçosas, como por a namorada a trocar o pneu por não saber (esta é para ti Bruno). Nos últimos tempos tenho recordado estes dias da infância. O carro simplesmente não pega. Mas é uma boa sensação. Luto com a máquina. Parto do princípio que sou mais inteligente e que vou vencer a batalha. Após 30 minutos, continua a não querer funcionar. Tenho, então, que o empurrar. Mas como está entre dois carros, arregaço as mangas e manobro-o manualmente até que chegue ao meio da rua. Ligo a ignição, ponho em ponto morto, começo a empurrar até que ganhe uma velocidade considerável. Salto para a viatura e, com rapidez e precisão, engato segunda, largo a embreagem, ele engasga-se e...voilá, funciona. Voltando ao início: a sensação de empurrrar um carro...fantástica! Venci a máquina, venci o desespero que passei durante largos minutos, sou o maior. No meio deste filme todo, o pior mesmo foi ver as pessoas a olhar para mim. Como nunca lhes aconteceu, olham com aquele misto de pena e vontade de ajudar, mas..."desenrasca-te meu!" E olham, comentam, como se fosse um criminoso. E para vocês que ficaram a olhar para mim feito parvos em vez de darem uma mãozinha enquanto me matava a empurrar o carro num parque de terra das praias da Costa..."tudo de bom!"

Machista Gay...Parte II